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Histórias de imaginar

Os ovos especiais


A Páscoa aproxima-se e, tendo em consideração que o blog tem estado um pouco parado graças a alguma falta de inspiração ( e de tempo...) hoje decidi obrigar as "celulazinhas cinzentas" a trabalhar e criar uma pequena história adequada à época. É 1h00 e, obviamente, ainda não a contei ao meu fiel público por isso, se alguem se antecipar, por favor não esqueça o feed-back...é sempre um prazer saber como resultam as nossas criações...de qualquer modo, mesmo que não haja feed-back, é já muito bom poder partilhar: Obrigada!

Os ovos especias

O Sr. Matias tinha uma pastelaria.
Sabia fazer pão, bolos e doces como ninguém...e, quando chegava a época da Páscoa, os clientes faziam fila à porta para comprarem os seus famosos ovos de chocolate.

Acontece que, certo ano, não se sabe porquê, o Sr. Matias não conseguiu comprar chocolate cor de chocolate...ou seja, o tradicional chocolate negro. Bem que ele procurou em todos os fornecedores mas, nada a fazer: tinha-se acabado o chocolate. Na verdade, disse um dos fornecedores, o que ainda havia era chocolate branco...se ele quisesse, talvez conseguisse fazer uns belos ovos da Páscoa...

O Sr. Matias, preocupado, pensou, pensou, sem saber o que fazer: as pessoas estavam habituadas aos ovos castanhos, o que diriam quando fossem à sua loja e os ovos fossem diferentes?...Bem, melhor ovos brancos do que nada.E, quem sabe, as pessoas até poderiam gostar...

Nessa noite (sim, porque os pasteleiros trabalham durante a noite para que, de manhã cedo, as montras estejam cheias de coisas apetitosas para o pequeno-almoço) o Sr. Matias dedicou-se a moldar ovos de chocolate branco e, quando abriu a loja, a vitrine estava repleta de belos ovos de chocolate branco.

E lá se juntou a usual fila para comprar ovos de Páscoa, pois o Domingo aproximava-se e os clientes queriam preparar surpresas para as suas crianças.

E foi com grande tristeza que o Sr. Matias viu as pessoas, desiludidas e, até, zangadas, sairem sem comprar nada pois ninguém, mas ninguém queria comprar ovos diferentes. “Os ovos de Páscoa são de chocolate castanho!!!O que dirão os meus meninos quando virem ovos diferentes???Nunca mais cá venho” disse a D. Carolina dos cabelos laranja, com os lábios sempre pintados de lilás...

Ao fim do dia, a tristeza encheu o coração do pasteleiro. Nem um, nem um pequeno ovo de Páscoa tinha vendido. O seu cãozito, o Ezequiel, apercebendo-se da sua mágoa, aproximou-se, deu-lhe duas lambidelas e olhou para ele abanando a cauda. Depois, pegou num cestinho com a boca e colocou-o aos pés do dono, como se o desafiasse a fazer alguma coisa...

Então o Sr. Matias percebeu que podia fazer alguma coisa e, nessa noite, em vez de ficar na cozinha a preparar os bolos, foi com o Ezequiel até ao parque e escondeu todos os ovos na relva e por entre os arbustos.

No dia seguinte, sentou-se num banco de jardim a ler o jornal com o seu amigo de quatro patas e ficou a observar as famílias que chegavam com os filhos para brincar. De repente, uma menina de lindos cabelos encaracolados, baixou-se e, com os olhos a brilhar, correu para junto dos pais com um dos ovos na mão. “Pai, Mãe, vejam o que encontrei: que lindo ovo de chocolate. É diferente de todos os outros...hum...e é delicioso!!!!”

Aos poucos todas as crianças que chegavam encontravam os ovos escondidos e, algumas, até partilhavam com as outras que ainda os não tinham descoberto. Havia uma alegria enorme naquele Parque...até a D.Carolina apareceu com os netos e ficou espantada quando percebeu que estes tinham gostado muito mais dos ovos diferentes do que dos usuais ovos de chocolate cor de chocolate...

No ano seguinte, todos os clientes queriam ovos de chocolate branco e a todos o Sr.Matias respondia que não havia, pois ninguém tinha querido ovos diferentes no ano anterior...

Na verdade, a partir dali, o Sr.Matias passou a fazer sempre ovos de chocolate branco mas esses ele não punha à venda: esses guardava na sua cestinha e, na noite de sábado para domingo de Páscoa, lá se dirigia ao Parque com o Ezequiel para os esconder. Ele adorava fazer as crianças felizes e, deste modo, fazia-lhes sempre a surpresa de descobrirem e partilharem os ovos especiais do Sr. Matias... 

As minhas sugestões: O Ponto e Moncho e a Mancha



Olá!


Hoje descobri um novo Blog, que acrescentei à minha lista: Bloguefólio. Ali descobri uma história que adorei, disponibilizada pelo youtube, que partilho seguidamente, e recomendo vivamente. Vou pesquisar se existe o livro em Portugal, pois ainda sou uma adepta do "velho formato de leitura"...O título é O Ponto/The dot e o autor é Peter H. Reynolds. Fant´stico para quem tem baixa auto-estima no que refere às suas capacidades plásticas... e não só...


http://www.youtube.com/watch?v=Riv1LiA6DM4&feature=player_embedded


E já que falo em capacidades plásticas aqui vai outra das minhas grandes escolhas:




Autor: Kiko Dasilva
Editora: Kalandraka


Simplesmente genial...este ano voltei a trabalhá-lo com um grupo de 5 anos e foi uma verdadeira delícia. As crianças adoraram, envolveram-se e divertiram-se à grande e o resultado foi um original trabalho de expressão plástica...à base de manchas...e de vacas...a partir de folhas de papel rasgadas...delicioso!!!Um prazer!!!

Feed-back

Olá a todos!!!
Hoje não vou publicar nada de novo, apenas um pedido...
Ao construir este blog pretendi partilhar algo que criei, ou melhor, vou criando a pouco e pouco no intuito de enriquecer a minha prática pedagógica. Achei que poderia ser útil sobretudo para colegas que também trabalhem com crianças, tendo o maior prazer em saber que as minhas histórias são utilizadas e contadas a outros grupos de pequenitos. Talvez seja presunção da minha parte, mas acredito que possam ser úteis e interessantes para os mais novos...ou não estaria aqui...
Gostaria imenso de ter um feed-back por parte daqueles que eventualmente contam as minhas histórias ou aproveitam as sugestões. Saber reacções, como foram trabalhadas e receber também sugestões...nomeadamente de livros...para que este possa ser, também, um espaço de partilha.
Desde já OBRIGADA a todos os que passam por aqui e aproveitam para folhear, descobrir, divulgar...

As minhas sugestões: A árvore


Hoje é Dia da Árvore e, por isso, peguei num livro "velhinho" chamado A Árvore e mostrei ao grupo. É um daqueles livros que se descobre a cada vez que se folheia. Não tem uma única palavra, sendo as imagens a sua única forma de comunicação. É um livro a explorar, ver do início ao fim e tornar à primeira página pois, tal como as estações do ano, é cíclico. É um clássico imperdível na biblioteca de qualquer Educadora de Infância.

Editora: Sá da Costa 
Autora: Iela Mari


Nota: A editora Kalandraka editou este livro com o nome As estações. Não o folheei e, por isso, não posso dizer que seja igual mas, pela pesquisa que fiz na Internet, creio que é idêntico. 

Poema para o Dia do Pai

Chega já fora de tempo, mas publico na mesma. É um poema que fiz para os meninos dizerem aos pais no lanche que preparamos na escola. Como foi feito para esta ocasião tem alguns pormenores particulares propositadamente incluidos para a ocasião que podem sempre ser ligeiramente alterados consoante as necessidades. 


Não sei que pensar
Não sei que dizer
O Dia do Pai à porta
E eu não sei que fazer


Uma caixa, uma gravata
Um porta-chaves, um marcador
Nada disso me agrada!
Vou fazer um...
ops...é surpresa, não posso contar...


Uns bolinhos bem docinhos
E um chocolate a escaldar
O que há melhor que isso
Para o coração adoçar?


Ah! Já sei!
Um abraço apertado
E um beijinho repenicado!

O leãozinho sem forças


Nesta simples história procuro alertar  para a importância de uma alimentação saudável...mesmo quando isso implica fazer algum esforço em comer um pouco daquilo que não se aprecia tanto...


O leãozinho sem forças

Era uma vez um leãozinho chamado Leonardo.

O Leonardo tinha muitos amigos e , todos os dias se juntava a eles para brincar: faziam corridas, davam saltos e fazim concursos para ver quem tinha o rugido mais forte.

Acontece que, todos os dias, o Leonardo voltava para casa muito triste porque nas corridas era sempre o último, nos saltos cansava-se tão depressa que preferia ficar deitado a ver os outros jogarem – parecia que não tinha força nas patas. E quanto a rugir…bem, quanto a isso ainda ficava mais aborrecido pois os amigos riam-se e diziam que ele mais parecia um gato, tão fraco era o seu rugido. Assim nunca iria ser o Rei da Selva.

Então, a Mãe e o Pai decidiram levá-lo ao Dr. Infante, que era um elefante que estava sempre a abanar as orelhas, que eram enormes.

- Dr. Infante, será que pode ajudar o nosso Leo? Ele está cada vez mais triste e agora nem quer sair de casa para brincar com os amigos. Se calhar está doente…

- Vamos já ver isso, disse o Dr. Infante, sacudindo as orelhas.

Auscultou-o, mediu-lhe a febre, apalpou-lhe a barriga, observou os ouvidos e a garganta…e nada, não via nada de especial…mas o que poderia ser?...

- Então e o Leonardo, come bem? – perguntou o Dr..

- Oh Sr. Dr….isso é sempre um problema. Ele nunca quer tomar o pequeno-almoço e é muito esquisito. Só quer guloseimas, nada de comer aquilo que nós dizemos. É muito teimoso, este nosso leãozinho…

- Hum…hum…- disse o Dr. Infante sacudindo as orelhas duas vezes – pois é, já percebi tudo. O que tu tens é fraqueza: não te alimentas como deve de ser e, por isso, não tens forças.

- Mas eu não gosto da comida que os meus Pais me dão…

- Leonardo, enquanto continuares a não comer aquilo que dizem os teus Pais, vais perdendo forças e, qualquer dia, nem consegues andar…Tens que começar a esforçar-te por comer melhor. Tomar um bom pequeno-almoço e comer às refeições um bocadinho de tudo o que os teus Pais disserem. Se não for assim, vou ter que te receitar um xarope que sabe muito mal e umas injecções para teres mais força. Parece-me que isso será bem pior, o que achas?

- …mmmm…também acho…e, Dr….se eu comer assim bem vou ficar um leão grande e forte como o meu Pai?

- Sim, com certeza…

- E rugir com muita força?

- Sim…tens é que ter paciência e esperar para ficar mais forte. Mas não te esqueças do que te disse – é importante comeres bem.

- Está bem, disse Leo, eu vou fazer um esforço.

E assim foi. Leo começou a tomar o pequeno-almoço todos os dias. E passou a comer aquilo que os Pais dizim. Às vezes fazia algumas caretas e torcia o nariz, mas lá fazia um esforço e comia um bocadinho menos, mas experimentava sempre. Até descobriu coisas que pensava não gostar e eram, afinal, deliciosas.

Com o passar do tempo voltou a ter forças para brincar com os Amigos e, um dia, deu um rugido tão forte, tão forte que até os companheiros se assustaram. Ouviu-se em toda a selva. E foi assim que ganhou o prémio de “Grande Leão da Selva”.

A melhor prenda de Natal


Desta vez uma história que procura fazer lembrar aqueles que estão sozinhos, nomeadamente os mais velhotes, apelando à generosidade. De certo modo, a história é fruto de uma certa melancolia relacionada com os meus tempos de infância em que o contacto humano era visto e sentido de modo diverso...o comércio tradicional prosperava e havia tanto a descobrir numa loja de brinquedos, por exemplo...

A melhor prenda de Natal

Era uma vez uma menina que vivia numa pequena vila. Todos os anos, pelo Natal, a vila enchia-se de luzes, enfeites e montras repletas de coisas apetitosas.
Havia uma loja de brinquedos que pertencia a uma velhota simpática que vivia numa casinha na parte traseira da loja.
A menina passava muitas tardes na loja, pois gostava adorava ver todas as coisas que havia para vender e, também os brinquedos antigos que a senhora gostava de mostrar. Apreciava ainda mais quando, à hora do lanche, a velhota lhe dizia para a acompanhar num chazinho. Nessa altura, passavam a cortina que separava a loja da casa e entravam numa sala que parecia mesmo uma casinha de bonecas. A vlhota punha uma toalha branca em cima da mesa, abria uma lata de bolachas com desenhos de pequenos animais da floresta e, quando se ouvia um silvo significava que o chá estava pronto. Então, ela pegava em duas bonitas chávenas e respectivos pires e servia aquela bebida deliciosa e quentinha que tão bem sabia com as bolachas de manteiga em forma de estrela.

Um dia a menina perguntou-lhe com quem passaria a noite de Natal.
  • Aqui! - respondeu.
  • Com quem? - perguntou a menina.
  • Sozinha. Não tenho família...
  • E o Pai Natal sabe que estás aqui?
  • Sim, com certeza que sabe...

A menina ficou a pensar na conversa que tivera com a velhota e em como ela se devia sentir triste por estar sozinha e, quando chegou a noite de Natal, falou com os Pais e pediu-lhes se poderiam convidar a senhora para cear com eles. Os Pais, ouvindo a história da sua filha, concordaram em convidar a velhota que, assim, passou o serão em família.

A casa estava cheia: os avós, os tios, os primos. Estes estavam encantados pois a velha senhora sabia muitas histórias e fazia animais diversos com quadradinhos de papel. Ao chegar meia-noite, como por magia, a chaminé encheu-se de prendas que as crianças abriram alegremente. No final, a menina reparou que todos tinham tido presentes menos velhota.

Foi ter com ela e disse-lhe:
  • O Pai Natal não devia saber que estava aqui. Se calhar tens as tuaas prendas lá em casa.
  • Não te preocupes, minha querida. O Pai Natal deu-me a melhor prenda que podia desejar: uma Amiga generosa como tu. Nunca passei um Natal como este e nada me faria mais feliz do que estou neste momento. Obrigada por tudo!

A pista de automóveis

Mais uma história natalícia...


A pista de automóveis

Certo Natal havia um menino que desejava muito uma pista de automóveis. Quando chegou a altura de abrir os presentes viu que não tinha recebido a tão desejada pista e ficou muio zangado. Empurrou os brinquedos todos para um canto e saiu da sala a chorar e a dizer que não tinha gostado de nada.

Foi para o seu quarto e deitou a cabeça na almofada que, em breve, estava molhada com as suas lágrimas. Sentiu então uma grande mão no ombro e voltou-se para ver quem era. Qual não foi o seu espanto quando viu o próprio Pai Natal sentado na beira da cama. Este disse-lhe:
  • Senta-te e ouve-me. Vou levar-te a conhecer os meninos a quem dei a tua pista. Se ainda achares que me enganei e que és tu quem deve receber a pista, assim será.

O menino concordou e sentou-se no trenó ao lado do Pai Natal. Foi um instante enquanto as renas voaram pelo céu até um local onde não estava frio, quase não havia carros nem prédios e as crianças vestiam roupas esfarrapadas e caminhavam descalças pelas ruas empoeiradas.

Entrarm então numa casa muito pobre onde estavam algumas crianças que riam, de olhos muito brilhantes, jogando com uma pista de automóveis. Era a sua pista!

Então o menino olhou em volta e percebeu que aquele era o único brinquedo daqueles meninos. Não havia outros...

A partir dessde dia, o menino nunca mais ficou triste por não ter no sapatinho tudo aquilo que tinha pedido e, todos os anos, escolhia os brinquedos que já não usava e enviava-os ao Pai Natal para que levasse, na noite de Natal, a todos os meninos que não tinham nada para brincar.

As minhas sugestões: Certa noite, num estábulo

Agora que nos aproximamos do Natal não posso deixar de referir e sugerir um livro que considero lindíssimo. "Certa noite, num estábulo" conta-nos o nascimento do Menino Jesus de uma forma muito original. Esta é a história de uma velha vaca abandonada num estábulo, em Belém, que espera ansiosamente pelo seu dono...fala-nos de bondade, generosidade e amizade...grandes VALORES...



Editora: Livros Horizonte

Os 3 Reis Magos e a Estrela de Natal


O Natal aproxima-se e, por isso, cá está uma pequenina história ligada aos Reis Magos.

Os 3 Reis Magos e a Estrela de Natal

Era uma vez uma estrela muito brilhante...cintilava mais que todas as outras e parecia até mover-se no céu...

No Oriente vivia um Rei chamado Belchior. Certa noite, olhava o céu estrelado quando lhe pareceu ouvir uma voz...mas não via ninguém. Reparou melhor naquela estrelinha brilhante e, qual não é o seu espanto quando ouviu:
  • Sim, sou eu que te estou a chamar...
  • Mas tu és uma estrela...embora pareças especial...
  • E sou...fui escolhida para indicar a todos que nasceu o Menino
  • O Menino?...Que Menino?...
  • O Menino Jesus...nasceu num estábulo em Belém...
  • E esse Menino é um Príncipe?
  • Não...ele é filho de Maria e José, é muito pobre, e nasceu num estábulo, perto de um burro, de uma vaca e de alguns outros animais...
  • Pois, não sei explicar porquê, mas sinto que posso ajudar esse Menino. Vou levar-lhe ouro...mas, como faço para lá chegar?
  • Não te preocupes...segue-me e lá chegarás...

E assim foi...pelo caminho, encontraram outro Rei, chamado Baltazar. Este, admirado com o brilho daquela estrela perguntou:

  • Onde vão, nesta noite de paz em que parece ouvir-se anjos a cantar?
  • Vamos ver o Menino - disse Belchior
  • O Menino?...
  • Sim...Jesus, que nasceu em Belém...
  • O Menino que nos vem ensinar a Paz. o Amor...e tantas outras coisas importantes para sermos felizes...- disse a Estrela
  • ...E fazermos os outros felizes...- disse Belchior
  • Quero visitá-lo! Vou levar-lhe incenso...
  • Vem - disse a Estrela - segue-me e lá chegarás...

Continuaram, por algum tempo, até que ouviram alguém chamar:

  • Esperem...esperem...ouvi dizer que vão ver o Menino e entregar-lhe ofertas que o podem ajudar...eu tenho mirra para lhe levar...mas não sei como lá chegar...
  • Não te preocupes- disse a Estrela - segue-me e lá chegarás...

E assim foi...viajaram dias e dias, noites e noites, sempre acompanhados pela luz da estrela que mostrava exactamente o lugar onde Jesus nascera. Ao aproximarem-se viram outras pessoas que também seguiam aquela luz para visitarem Jesus. Pastores e camponeses levavam aquilo que podiam para partilhar com aquela família pobre que estava em Belém...comida, mantas para se aquecerem...mas também não tinham muito para oferecer, aquelas pessoas...

Finalmente chegaram... Os 3 Reis Magos entraram naquele lugar e, de repente, os seus corações encheram-se de Alegria e sentiram uma Paz imensa ao verem o Menino que dormia nas palhinhas, junto da sua família... a Estrela, sobre o telhado do estábulo, parecia sorrir e brilhava agora mais do que nunca...

As minhas sugestões: Beijinhos não dou

Mais um livro adequado a crianças entre os 3 e os 7 anos, muito divertido, mas mesmo muito divertido! E como eu acho que a vida é para ser vivida com sentido de humor, boa-disposição e grande sinceridade, aqui está um livro para crianças que condensa TUDO em algumas páginas. 


Editora: Dinalivro
Autora: Julia Jarman

Link: Dinalivro

As minhas sugestões: Vamos à caça do urso

Este é um livro surpreendente e absolutamente FANTÁSTICO para qualquer Educador de Infância. À primeira vista até passa despercebido, depois...à primeira leitura...descobre-se o potencial e...não se larga mais. Dá para tudo: trabalhar a linguagem, as expressões, a imaginação...é de uma riqueza a não perder. E eu já fiz tantas caças ao urso...brincadeiras memoráveis no campo do faz de conta...








Editora: Caminho
Autores: Helen Oxenbury, Michael Rosen


Link: Caminho

As minhas sugestões: O urso resmungão

Este é um livro bastante outonal, que fala de folhas, estrelas, um urso, um coelho, humores e descobertas...além de belíssimas gravuras, transporta-nos ao imaginário inocente das crianças e tem muito por onde "se lhe pegue".




Editora: Minutos de Leitura
Autor: Steve Smallman
Ilustrador: Cee Biscoe




Link: Minutos de leitura

A Bruxa Trapalhona

Com a aproximação do Dia das Bruxas lembrei-me de colocar aqui uma história que escrevi já há alguns anos a fim de concorrer a um Prémio de Literatura. A minha ideia foi desmistificar um pouco o conceito de Bruxa má, criando uma personagem trapalhona, com falhas como qualquer um de nós.



A Bruxa Trapalhona

Era uma vez uma bruxa...

Como todas as bruxas andava sempre vestida de preto e usava um enorme chapéu pontiagudo que, por ser um pouco grande, teimava em lhe tapar os olhos. Estes eram verdes, muito redondos e cobertos por umas sobrancelhas pretas, da cor dos cabelos, que eram bastante compridos.

Mas esta era uma bruxa especial, diferente das outras, porque era muito trapalhona. Estava sempre a enganar-se nos feitiços que fazia e, quando voava na sua vassoura, aterrava sempre onde não devia...

Certo dia, quando se dirigia ao Castelo onde as bruxas se reuniam, atrasada como sempre, começou a voar cada vez mais depressa. A certa altura, uma rajada de vento mais forte empurrou-lhe o chapéu para os olhos. Sem conseguir ver o que quer que fosse, a Bruxa caíu, mais a sua vassoura, pela chaminé de uma casa. Pum, catrapum! Pás, catrapás!

O João, que andava ali a brincar, além de apanhar um susto, ficou muito admirado por ver alguém caír pela chaminé...ainda por cima, aos trambolhões...

- En...então, minha senhora, quer ajuda?
A Bruxa, em vez de agradecer, ficou furiosa e desatou a chorar:

-Eu não sou uma senhora! Sou uma Bruxa!!!
-Uma Bruxa?!!! Não parece nada...tem uns olhos tão simpáticos...
-Mas sou!!! E as Bruxas deviam meter medo às pessoas.
-A mim não me mete medo... – disse o João.
-Pois...ninguém tem medo de mim... Vou-me embora. Vou-me embora e não quero ajuda. Podia lá ser...eu, uma Bruxa...ser ajudada por uma criança...Vou-me embora...

Mas, ao tentar levantar-se, caíu novamente no chão, pois tinha batido com a cabeça e estava muito tonta. Então, o João foi chamar a Mãe, tentando explicar o que tinha acontecido, mas esta disse logo:

-Ó João! Lá vens tu com as tuas histórias. Agora uma Bruxa a caír na chaminé. Tens cada coisa...Vai lá brincar com os teus carros que eu, quando acabar de dar banho à tua irmã já vou brincar contigo.

O João foi ter com a Bruxa e disse:
-Tu estavas a brincar comigo...Não és uma Bruxa, pois não? A minha Mãe não acreditou em mim e eu também já não sei se acredite ou não.
-Ai sim?! Então o que é que queres que eu faça para tu acreditares em mim? Vá, diz-me!...
-Olha...deixa-me pensar...Já sei: podias transformar o gato em rato...se fizesses isso eu já acreditava.
-Muito fácil!!! Zu-ziri-bum! Zá-ziri-bato!Transforma-te num rato.

E o gato transformou-se em rato.

-Eh!!! Muito bem!!! Agora já acredito em ti. És mesmo uma Bruxa!!! Bem, agora o melhor é voltares a transformá-lo em gato, antes que a minha Mãe venha, senão vai ficar muito zangada.
-Está bem! É para já: Zi-ziri-bum!Zi-ziri....ai, como é que é?...Não consigo lembrar-me...zi-ri-zapo!
-Olha, agora é que arranjaste a bonita. Transformaste-o num sapo...Ai a minha Mãe...Tens que te lembrar...
-Pois...é o meu problema...fico sempre baralhada e esqueço-me das coisas...Já sei: Zi-ziri-bum!Zi-ziri-bão.
-Agora é um cão - disse logo o João, já muito aflito.
-Tu é que tiveste a culpa, por não acreditares em mim. Se eu fosse uma Bruxa má, como as Bruxas devem ser, agora ía-me embora e tu ficavas com um cão, em vez de um gato. O pior é que eu tenho um grande coração e não tenho jeito nenhum para ser bruxa...
- Pois, mas agora tens que resolver este problema. Eu também não sabia que eras uma bruxa tão trapalhona e a minha Mãe está quase a chegar e se ela sabe...não sei o que te acontece a ti. Eu já sei que fico uma semana sem ver televisão...
-Estou a lembrar-me: Zi-ziri-bum! Zi-ziri-balo!
-Oh! Não!!! Um cavalo!!! Não!!! E a minha Mãe deve estar mesmo a chegar.
-Já sei: Zi-ziri-bum! Zi-ziri-binho!
-Um passarinho!!! Não vais conseguir...ainda o vais transformar num pato...
-É isso: Zi-ziri-bum! Zi-ziri-zato!
-Boa!!! Conseguiste...

Nesse momento, a Mãe entrou na sala:

-João: O que é que se passa aqui. Estavas a falar tão alto. E quem é esta senhora?
-Não é uma senhora, Mãe. É uma Bruxa...
-João: já te disse para não chamares nomes feios às pessoas...
-Mas eu sou mesmo uma Bruxa...
-Ora...uma Bruxa. Com uma cara tão simpática...
-Mas é verdade. Sou uma Bruxa...
-Oh! Está bem...Só acredito se fôr capaz de transformar o gato em rato...

Assim que ouviu isto, a Bruxa sentou-se na vassoura e voou pela chaminé acima e, ao mesmo tempo, o João tapou os olhos com as duas mãos, pois nem queria imaginar o que podia acontecer.

-Vês: eu bem te dizia...ela não foi capaz...e, a propósito: onde é que está o gato?

Pois é...o gato mal ouviu aquelas palavras foi-se esconder debaixo do sofá da sala, antes que a bruxa o transformasse num elefante ou noutro animal ainda mais estranho ...



As minhas sugestões: Numa noite muito escura

Mais um bom livro infantil a circular pelas livrarias portuguesas..."Numa noite muito escura" é uma história que joga com as emoções, com o medo do escuro, cria mistério até à última página...Absolutamente recomendado a crianças dos 3 aos 6.



Editora:Livros Horizonte
Autor: Simon Prescott


As minhas sugestões: Não tem graça

Ontem andei a folhear as novidades em literatura infantil e surgiu-me este "Não tem graça". Achei muitíssimo divertido e, também, pedagógico. As imagens são muito alegres e está recheado de sentido de humor...sem dúvida adequado a crianças dos 3 aos 6 anos de idade...


Editora: Civilização
Autor: Jeanne Willis

A Fada Preguiçosa


"A Fada Preguiçosa"  é uma peça de teatro escrita por mim há já alguns anos para festejar o dia de S. Martinho. 
 Foi encenada na minha escola algumas vezes e é sempre diferente graças à imaginação de quem a "trabalha": desde os cenários, ao guarda-roupa, passando à escolha de músicas ou sons para a enriquecer. Este ano, mais uma vez, será encenada com a participação das crianças que entrarão fazendo de folhas e castanhas, cantando algumas canções alusivas à época...


« A FADA PREGUIÇOSA »

( A Fada das Castanhas acorda, boceja e espreguiça-se. )
  • Que bela soneca! Ainda bem que chegou o Outono. O calor do Verão dá-me uma preguiça...
(canta uma canção de Outono... e termina com tom preocupado – mais lento)
  • Ai meu Deus!... A minha cabeça... As castanhas... Esqueci-me das castanhas... Ai,que será de mim..
(Aparece a Fada das Árvores)
  • O que tens Fada, Fada... ( como quem não sabe o nome)
  • Fada das Castanhas. É o meu nome... Ou era... Quando o Outono souber... acho que passarei a ser a Fada Dorminhoca...
(Começa a chorar)
  • Então... não estejas assim...
Sou a Fada das Árvores e vou, com certeza, poder ajudar-te. Queres contar-me o que te aconteceu?
  • Pois então eu digo-te: Todos os anos, durante o Verão, eu tenho que colocar as castanhas nas árvores. Quando chega o Outono, o vento começa a soprar, as folhas a caír e, nessa altura, faz-se a festa de S. Martinho: o Magusto.
  • O que é isso... o Magusto?
  • As pessoas juntam-se todas e fazem uma espécie de um pic-nic em que comem castanhas quentinhas...
  • Mas então porque estás assim?
  • Pois acontece que o calor faz-me preguiça e passei o Verão a dormir.
  • Esqueceste-te das castanhas?
  • É verdade!...
  • Ai quando o Outono souber...

( Aparece o Outono muito zangado )
  • Fada das Castanhas! Fada das Castanhas!
  • Estou aqui... (muito embaraçada)
  • É sempre a mesma coisa: sempre a dormir! E agora? É dia de S. Martinho, as pessoas estão a preparar as fogueiras e os assadores para fazer o Magusto e não têm castanhas.
(Chega a Fada dos Ouriços, com as mãos nos ouvidos)
  • Que barulho!
  • E quem és tu para me dizeres que estou a fazer barulho?! A mim que sou o Outono? (Outono)
  • Eu sou a Fada dos Ouriços e gostava de saber o que se passa aqui. (Fada dos Ouriços)
  • É dia de S. Martinho e não há castanhas para o magusto.(Fada das Árvores)

(A Fada dos Ouriços ri-se)

  • Mas então vocês pensavam que eu deixava chegar este dia sem haver castanhas? Nunca!
  • Nunca??? (Os três em conjunto)
  • É claro que não. Eu já conheço a preguiça da Fada das Castanhas e não me custa nada ajudá-la. As castanhas estiveram muito tempo guardadas dentro dos ouriços que estão nas árvores... (Fada dos Ouriços)
  • Oh, amiga, muito obrigada! Se não fosses tu não haveria magusto e as pessoas ficariam muito tristes. Como poderei agradecer-te? (Fada das Castanhas)
  • Escuta Fada: as castanhas são como o coração dos Ouriços. Quantas mais houver, mais ouriços haverá...(Fada dos Ouriços)
  • Sim, e as árvores ficarão mais bonitas...(Fada das Árvores)
  • É verdade: enquanto vocês forem amigas, ajudando-se umas às outras, as pessoas serão muito mais felizes. E agora, vamos ver a festa do S. Martinho! ( Outono)




Folhas caídas

Este simples poema não me pertence e foi-me gentilmente cedido por uma colega e grande amiga: Sara Santos Calisto. Com a sua característica sensibilidade para a descoberta de palavras belas ditas por crianças, deu-me a conhecer esta poesia que agora partilho convosco. Faz parte de uma compilação de nome "Histórias de meninos e de outros que o não foram", e foi escrita por Fábio, um menino de 9 anos...




Folhas caídas
A folha amarela caída no chão triste
está chorar porque não tem
amigas para brincar ao luar.
Um dia uma folha verde caiu do céu
para brincar com a folha amarela.
Todos os dias
brincava com ela e cantava
sem parar.
Todos os dias a folha verde
ia acordar a folha amarela
e iam para o jardim encantado.
E assim ficaram amigas
para sempre, sempre.

Sugestão da Sara: utilizar para uma actividade de expressão corporal, dança criativa...etc., etc.....

As minhas sugestões: OH!

Continuando com as minhas sugestões, aqui vai um que considero um clássico a não perder por todos os profissionais de educação de infância. É um livro só de imagens que se relacionam sempre com a imagem da página seguinte e têm, além disso um efeito surpresa em cada página (que é dobrada). Dá pano para mangas como se costuma dizer...é sempre diferente, com algo de novo a descobrir...


 

Editora: Kalandraka (embora já tenha sido editado por outras)
Autor: Josse Goffin

Link: Kalandraka


As minhas sugestões: Um Segredo do Bosque

Mais uma sugestão...



Editora: OQO
Autoria:Javier Sobrino & Elena Odriozola

É uma história de amor...comovente...
Para mim, é LINDO!!!!!

As imagens são belíssimas e todo o livro é de uma sensibilidade tocante...impossível não gostar


Link: OQO